A Importância do Contexto Bíblico: a Relevância do Contexto Histórico, Cultural e Literário ao Interpretar Passagens Bíblicas

Compreender o verdadeiro significado das passagens bíblicas requer mais do que apenas uma leitura superficial. A chave para uma compreensão lógica do conteúdo  disponível nas Escrituras Sagradas, está no entendimento do contexto bíblico, que abrange o contexto histórico, cultural e literário.

Neste artigo, vamos explorar a importância desses três contextos ao investigarmos as passagens da Bíblia. Esperamos que o conteúdo seja útil e que você possa esclarecer todas as suas dúvidas sobre o assunto.

Contexto histórico

A Bíblia é uma coleção de livros que abrange um grande período da história, desde os tempos antigos até a era do Novo Testamento. Cada livro foi escrito em um momento específico em resposta a eventos, circunstâncias e desafios únicos de seu tempo, porém existe uma conexão, interação e lógica que estabelecem uma unidade ainda que tenham mais de mil anos de diferença entre eles.

Por exemplo, o livro de Gênesis descreve a criação do mundo e a história dos patriarcas, como Abraão, Isaque e Jacó. Entender o contexto histórico desses relatos significa reconhecer que eles foram escritos em um momento histórico do povo hebreu, bem como o caráter qualitativo da intuição que inspirou todos os relatos e detalhes dos registros. É importante entender o momento cultural e qualitativo (espiritual) daquele povo. O que os movia em sua existência? Qual era a compreensão da Divindade? Qual a razão de buscarem registrar as experiências vividas em dependência a DEUS?

Da mesma forma, o livro de Daniel, escrito durante o cativeiro babilônico, precisa ser lido à luz da opressão que os hebreus enfrentaram nesse período. Isso ajuda a compreender o significado das visões proféticas e a mensagem de correção que sofriam através das palavras de exortação dos profetas, a esperança para um povo que passava por dificuldades.

É importante compreender a evolução histórica deste povo que fez os registros conhecidos como (Antigo Testamento – TANAKH e o Novo Testamento). Como eles se dividiram em 12 tribos e foram conduzidos para conquistar a Terra Prometida. Porque houve um testamento entre DEUS e este povo, segundo os registros que podemos estudar. 

Conhecer este fato nos ajuda a entender como o povo que teve origem com Abraão na terra dos Caldeus, originário da Cidade de Ur na Mesopotâmia, deixou seu local de origem e parentela, e por inspiração intuitiva peregrinou até Hebrom. Daí vai surgir o nome dado ao povo, pois o patriarca ficou conhecido como Abraão de Hebrom, portanto, Abraão, o Hebreu.

Como podemos relacionar hoje dois povos, Palestinos e Israelitas, considerando que ambos tiveram o mesmo Patriarca Abraão? Para isto precisamos entender que Abraão gerou Ismael e Isaque. De Ismael surgirá o Povo Ismaelita que é a base da linhagem para o Povo Palestino em nossa atualidade, e Isaque teve dois filhos, Esaú e Jacó, e Jacó teve seu nome mudado para Israel, daí surgindo os Israelitas que foi todo o povo nascido dos 12 filhos de Israel (as 12 tribos), entre eles um por nome de Judá dando origem aos Judeus.

Em determinado momento da história deste povo de Israel, eles se dividiram entre dois Reinos, o Reino no Norte que ficou com nome de Reino de Israel com sua capital Samaria, e o Reino de Judá com a capital Jerusalém.

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O contexto histórico é a moldura que nos permite entender as motivações por trás dos escritos bíblicos e a mensagem que eles buscavam transmitir em seus respectivos momentos da história.

Contexto cultural

São várias as culturas antigas citadas na Bíblia, como a hebraica, egípcia, babilônica e romana. Cada cultura tinha suas próprias tradições, crenças e valores que influenciaram a forma como os autores bíblicos se expressaram.

A prova disto é que o Antigo Testamento escrito em hebraico e o Novo Testamento escrito em Grego, foram todos traduzidos para o grego dando origem à Septuaginta (somente o Antigo Testamento uma vez que o Novo Testamento já teve os registros em Grego), realizada na segunda metade do século III a.C. em Alexandria, cidade egípcia. A partir deste feito, a Bíblia foi traduzida para o Latim, e mais tarde traduzida para 733 idiomas, incluindo o Português do Brasil.

Como compreender em nossos dias a prática da realização dos sacrifícios. Qual a finalidade deles? Os sacrifícios de animais descritos no Antigo Testamento faziam parte da tradição hebraica desde o tempo de Abraão. Para entender o significado desses rituais, é necessário analisar o contexto cultural no qual eram realizados, assim como a simbologia por trás deles.

Além disso, as parábolas de JESUS, o CRISTO, frequentemente fazem referência a elementos da cultura hebraica da qual ele fazia parte, como a moeda do tributo de César. Conhecer esses detalhes culturais é fundamental para captar plenamente a essência dos ensinamentos deste homem que foi um divisor de águas para a humanidade.

Portanto, a investigação precisa das passagens bíblicas exige um estudo do contexto cultural das civilizações antigas em que a Bíblia foi escrita. Assim, entendemos as metáforas, símbolos e costumes que podem parecer estranhos à primeira vista, são relevantes para uma compreensão mais fiel ao momento vivido por este povo.

Contexto literário

A Bíblia é como uma biblioteca de livros diversos e cada livro possui seu próprio gênero literário. Os gêneros literários na Bíblia variam de narrativas históricas a poesia lírica, profecia e epístolas, mas os textos possuem uma conexão e interação entre si, e um “fio lógico” que é preciso um método que ajude a compreendê-los dentro desta linha de pensamento.

O livro de Cânticos é como uma coleção de poesias que frequentemente usa linguagem simbólica e figurativa. As imagens poéticas são uma parte essencial desse livro e entender o contexto literário auxilia a conhecer o conteúdo emocional e espiritual que eles transmitem, sem esquecer o caráter intuitivo do poeta.

Em contraste, as cartas do Novo Testamento, por exemplo as que foram escritas por Saulo que mais tarde teve seu nome mudado assim como relatado com Jacó, e passou a ser chamado Paulo, que ficou conhecido como o Apóstolo Paulo (note que há uma prática de mudança de nome na cultura deste povo. Será que existe uma razão?), são escritas no estilo de argumentação. Compreender essas cartas nos faz reconhecer a estrutura de um argumento, as referências culturais da época e o objetivo de cada carta.

A Compreensão correta das passagens bíblicas exige, então, que reconheçamos o gênero literário de cada livro e apliquemos as técnicas apropriadas de leitura. Desse modo, é possível ler a variedade de estilos literários encontrados na Bíblia e entender as mensagens de forma mais profunda.

Leia este artigo também: Como os Ensinamentos da Bíblia Podem Ser Aplicados aos Dilemas Éticos e Morais Contemporâneos

Problemas em interpretar passagens bíblicas fora de contexto

A interpretação é inadequada,  especialmente quando feita fora do contexto apropriado, pois tende a levar a uma série de equívocos.

Aqui estão algumas das questões que surgem quando as passagens bíblicas são interpretadas de forma isolada:

– Má compreensão da mensagem original: ao ignorar o contexto, perdemos o significado original das palavras e eventos, o que leva a interpretações distorcidas que não refletem a intenção dos autores bíblicos. É sempre importante fazer uso de pesquisas etimológicas, usando por exemplo a Concordância de Strong para buscar a compreensão das palavras em seu contexto histórico.

– Conclusões precipitadas: passagens isoladas costumam parecer contraditórias com outras partes da Bíblia e levam a conclusões equivocadas sobre a fé e a moral. Essas interpretações causam confusão e divisão.

– Uso indevido para justificar ações inadequadas: passagens retiradas do contexto têm potencial para justificar comportamentos prejudiciais ou extremistas. Obviamente, isso gera danos tanto no nível pessoal quanto no coletivo.

– Falta de profundidade qualitativa (espiritual): fazer uma interpretação superficial não leva a uma compreensão mais abrangente das Escrituras Sagradas e priva os leitores da riqueza espiritual que a Bíblia oferece quando examinada em seu contexto completo.

– Perda de aplicabilidade prática: interpretar passagens bíblicas fora do contexto ocasiona a falta de aplicação relevante dos ensinamentos bíblicos às situações cotidianas. Essa ação diminui o potencial transformador da Bíblia na vida das pessoas.

Aplicação prática

Entender o contexto bíblico não se limita apenas a estudiosos e teólogos. Qualquer pessoa que deseje aplicar os ensinamentos da Bíblia em sua vida diária vai se beneficiar desse conhecimento.

Ao estudar, pesquisar, investigar as passagens bíblicas, o ideal é fazer as seguintes perguntas:

– Qual era o contexto histórico em que esta passagem foi escrita?

– Quais eram as práticas e crenças culturais da época?

– Qual é o gênero literário deste texto?

– Qual é a mensagem central da passagem?

– Como ela está relacionada com outras passagens na própria Bíblia?

– Há uma comprovação arqueológica que nos ajuda a entender melhor o contexto?

Quando essas perguntas são feitas, os leitores já evitam interpretações simplistas e têm mais chances de compreender a mensagem real da Bíblia. Acompanhe, logo abaixo, algumas formas de aplicar o conhecimento do contexto bíblico.

– Estudo detalhado: reserve um tempo para pesquisar o contexto histórico, cultural e literário. Existem muitos recursos, como comentários bíblicos e enciclopédias, que fornecem informações adicionais.

– Relevância atual: você pode traduzir os princípios bíblicos para situações contemporâneas e aplicar a sabedoria atemporal da Bíblia aos desafios e dilemas que enfrentamos hoje.

– Discernimento Qualitativo Intuitivo (espiritual): com um entendimento melhor das passagens bíblicas, é viável encontrar a mensagem espiritual por trás das palavras, questão que permite uma conexão mais significativa com sua fé. O próprio Apóstolo Paulo nos adverte sobre isto em sua carta aos Coríntios ( II Coríntios 1–3 ).

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